segunda-feira, 11 de agosto de 2008

E foi assim que tudo começou...




Para quem não me conhece, moro em Pirenópolis, Goiás, uma cidadezinha histórica linda em meio a serras e cachoeiras. Sou casada com George e tenho quatro filhas lindas.
Enquanto morei em Brasília descobri que morava perto da Associação Nacional de Equoterapia(terapia comcavalos reconhecida mundialmente), a ANDE Brasil. Achei muito bom e, como estava com dores lombares muito fortes, pensei que seria uma boa para fortalecer meus músculos e ter contato com cavalos, que sempre amei.Desde então meu destino mudou e senti Deus abrindo todas as portas para chegar onde estou: atleta equestre. Consegui uma vaga milagrosamente e logo comecei a fazer as sessões. Meu orientador, o querido Vinícius, observou que eu montava de um jeito especial, ou seja, que eu levo jeito para a coisa. Sempre amei montar!
Diante disso começamos a conversar sobre esportes Para Equestres e sobre o que eu achava da possibilidade de ir evoluindo para, quem sabe, me tornar uma atleta e competir.
Eu, toda empolgada, ameeei a idéia, claaaro!!!! Mas ainda era só uma idéia.

Já em minha terceira aula o Vinícius trouxe o Coronel Marcon (a ANDE é uma entidade do exército)para me observar montando e não me deu muitos detalhes. O Coronel me observou por um tempo, me orientou em alguns movimentos em volta do picadeiro onde monto e eu simplesmente obedeci, sem saber muito bem do que se tratava. Ele então se despediu e saiu com o Vinícius enquanto eu descia do cavalo com auxílio do acompanhante das aulas.
Logo volta o Vinícius, animado como é, dizendo que o Coronel Marcon, experiente adestrador e professor de equitação, estava me avaliando e disse que eu tenho muito potencial e que, se eu estivesse interessada, iriam dar continuidade para que me tornasse uma atleta de verdade. Além disso, me disse também que a Ande, embora seja uma instituição reconhecida internacionalmente e a única formadora de ecoterapeutas do país, não tem nenhum atleta que represente a instituição e que já estavam pensando em eu ser esta pessoa.

Imaginem, 32 anos, quatro filhas, um monte de dificuldades na vida e uma oportunidade dessas cai do céu?! Fiquei reluzente, parecia um presente de Deus, só isso e senti que deveria continuar seguindo o fluxo, até onde Deus quiser continuar levando.

De lá pra cá tive mais aulas, me encaminharam para um grande professor de adestramento (modalidade equestre que estou treinando), o coronel Wickert que já, inclusive, cedeu sua égua linda branca de crina longa, a Safira, já adestrada, para que eu possa treinar.


Também aconteceu um outro brinde de Deus: a última aula à qual compareci "coincidiu", exatamente, com o Campeonato Brasileiro deAdestramento Para Equestre, ou seja, a seleção final das olimpíadas dePequim! Estive lá (foi na Hípica de Brasília), conheci um monte de gente incrível e, como se não bastasse, estava presente a única pessoa do Brasil e da América Latina que faz a classificação da modalidade na qual a pessoa portadora de deficiência será inserida. Fui apresentada à Gabriele, uma alemã forte, e a empatia foi instantânea. Acreditam que ela saiu da competição para me avaliar? Foi muito engraçada a avaliação, ela media minha força muscular, equilíbrio, dificuldades e, por fim perguntou: não existe um grau acima do normal não? Morri de rir porque sempre soube que tinha um bom equilíbrio, treinado em anos de próteses e atividades radicais, que também fortaleceram meus músculos, mas foi muito engraçado ela falar aquilo. Me disse: "Sabe quando você vai cair do cavalo? Nunca!Só se o cavalo cair com você." Esta avaliação, para que compreendam o que isso significa, é imprescindível para que eu participe de qualquer competição nacional ou internacional, sem passar por Gabriele (que mora no interior de SãoPaulo e anda por todo o mundo), ninguém pode competir! Eu já posso tirar minha carteirinha e competir. Assim que for possível, claro. Fui classificada como Grau IV, o último grau, ou seja, o mais difícil. Como grau IV posso também competir em competições de pessoas sem deficiência alguma em igualdade em um esporte onde homens e mulheres
competem em igualdade e não há um limite de idade definido para parar.


Agora estou morando em Pirenópolis, como disse, e estarei indo 1x porsemana para Brasília para treinamentos, iniciando um longo caminho que ainda não sei onde vai dar, mas que estou adorando. Estou conseguindo alguns apoios como traslados de carro ida e volta para a Ande (carona com amigos que já vão), diminuindo a dificuldade e tempo de ir de ônibus e tenho esperanças de que Deus continuará abrindo as portas desse lindo esporte do qual faço parte agora. Isso tudo também me ajudou a emagrecer e cuidar melhor de meu corpo, pois trouxe motivação.

3 comentários:

Mônica Dias disse...

Há muitos anos pensei em ter um cavalo, apesar de morrer de medo deles. Quando eu era pequena, lá em São Lourenço, Minas Gerais, onde minha avó paterna morava no verão, (pois no inverno fugia do frio de Minas e ia para o Rio); eu, meus irmãos e primos alugávamos cavalos para passear. Para não ficar pra trás, eu ia, me borrando toda, mas ia. A única vez que não tive medo, a eguinha era cega de um olho e manca. Lindinha!! Malhadinha de branca e marrom, cabisbaixa, andava devarinho... De todos os outros cavalos que andei, não me lembro, mas dessa eguinha, que parecia ter sido feita sob encomenda pra mim,jamais esqueci. Então, me vem à lembrança umas palavras que Flora escreveu num papelzinho insignificante quando tinha 8 anos. Levo-o comigo, em minha carteira. Diz assim: "Todas as pessoas desse mundo é de cada jeito! Umas são corcunda, outras são carecas, outras são paraliticas, outras são problematicas em escola, e, outras são normais. Cada um tem seu jeito, mas não importa, todas são uma importância para algumas pessoas." E assim era aquela eguinha pra mim: muito importante.E viva ela está na minha lembrança. Bem, mas voltando ao meu cavalo, aquele do início desse comentário, nunca fiz nada para tê-lo, só quis apenas porque. num súbito de inspiração, queira colocar o nome dele de Pulsar. Não é um lindo nome para um cavalo?!
Beijos e boas cavalgadas!!

Maria do Sol Cesar de Vasconcelos e Melo disse...

Que bom ler palavras tão cheias de vida, compartilhando doces memórias, com cheiro de terra molhada e sabor de fruta no pé!
Adorei tudo, até o nome do cavalo, lindo mesmo!
Se tiver mais algo a acrescentar, please, faça isso.
Beijos, Sol

JOÃO MONTARROYOS disse...

Parabéns Maria pela sua opção pelo dressage...nao se esqueça que o principal é o assento, a posição em equilíbrio, e as ajudas alemãs são as melhores para qualquer cavalo e muito mais fáceis...seja muito feliz e com ótima saúde...vovô João Montarroyos.